| Coordenadoria de Imprensa 15/05/06 | |||||
| Bom dia! Atualizado às 8h |
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| Transporte |
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| - Mais de 30 ônibus são incendiados em SP - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Folha de S. Paulo Mais de 30 ônibus são incendiados em SP
GUERRA URBANA Ataques não deixaram feridos e foram feitos por grupos armados, a maioria nas regiões norte, sul e leste da capital de SP DA REPORTAGEM LOCAL - DA AGÊNCIA FOLHA - DA REDAÇÃO Em mais um dia de ataques do PCC, 36 ônibus foram incendiados ontem na Grande São Paulo e Baixada Santista, em atentados que começaram durante a tarde. Não houve feridos. Algumas empresas recolheram os veículos mais cedo. Não há informação se haverá mudanças nos horários e itinerários hoje. Na estrada de Itapecerica, no Capão Redondo, seis homens, três deles armados, entraram no ônibus da viação Miracatiba que estava parado no ponto, com cerca de 15 pessoas, e obrigaram os passageiros a descer. Um homem que estava no ônibus e pediu para não ser identificado disse que um dos criminosos afirmou que o ataque era represália ao governo. "Eles falaram: a gente não tem nenhum problema com vocês. Nosso problema é com o governo." Os criminosos dispararam algumas vezes, sem atingir ninguém, e mandaram os passageiros desceram. Depois, derramaram gasolina e atearam fogo. "Muita gente passou mal por causa da fumaça, havia mulheres com crianças", relatou o homem. Na zona sul de São Paulo, quase simultaneamente, a apenas algumas quadras de distância, dois ônibus foram invadidos e queimados nos bairros vizinhos Campo Limpo e Capão Redondo. Em um dos casos, os criminosos se identificaram como integrantes do "PCC 15", segundo a polícia. Por volta das 15h30, no ponto final da linha 795-P, em Campo Limpo, um grupo armado obrigou o motorista a dirigir por cerca de 20 minutos por favelas da região, segundo a polícia. Depois, foi orientado a parar na rua Carlos Lacerda, altura do número 2.500, onde o grupo ordenou que ele e o cobrador descessem. No local, havia outro grupo de homens e galões de gasolina. O combustível foi derramado no ônibus e ateado fogo. O veículo ficou atravessado na via. Outro ônibus foi incendiado na altura do km 230 da via Dutra, sentido São Paulo-Rio de Janeiro, nas proximidades da Vila Maria, por volta de 17h30. Os episódios aconteceram quase que simultaneamente, a maioria deles com apenas alguns minutos de diferença, nas zonas norte, leste e sul. Também foram queimados dois ônibus na Grande São Paulo, em Diadema, Guarulhos, e dois no interior, em Matão e São José dos Campos. Na Baixada Santista, quatro ônibus foram queimados na noite de ontem, três deles no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá (87 km da capital), e o outro em São Vicente (74 km da capital). Segundo os bombeiros do Guarujá, os três ônibus queimados eram circulares. Os veículos foram abordados pelos criminosos, que pediam para os passageiros descerem. Logo em seguida, ateavam fogo aos ônibus. Não havia informações de pessoas feridas nos casos. (MAELI PRADO, MARCELA CAMPOS E MARIANA CAMPOS) Ônibus evitam parar em ponto de passageiros DA REPORTAGEM LOCAL Temerosos de serem alvos de ataques de criminosos, alguns motoristas de ônibus urbanos não estão atendendo ao sinal de passageiros. A reportagem da Folha esteve em pontos de ônibus na avenida 23 de Maio, uma das mais importantes da cidade de São Paulo. Numa parada da 23 de Maio, nas proximidades do bairro do Paraíso (zona sul), um passageiro confirmou que alguns ônibus se recusaram a parar. Três passageiros disseram que os ônibus até paravam, mas que eles demoravam para passar. Por volta de meia-noite, 30 passageiros ainda estavam no local à espera de transporte. A Viação Campo Belo, que mantém linhas na zona sul, determinou, a partir das 21h de ontem, o recolhimento dos 122 ônibus que circulavam na cidade naquele horário. O último ônibus entrou na garagem da empresa, na zona sul de São Paulo, às 23h30. A Viação Sambaíba recolheu 103 ônibus antes do horário previsto, porque quatro de seus veículos foram queimados. A decisão de rodar ou não hoje deveria ser tomada às 4h de hoje. Segundo um funcionário, a medida pretendia preservar a vida dos motoristas e cobradores da empresa, ameaçados em razão dos ataques atribuídos ao PCC na cidade. Hoje a circulação dos ônibus da companhia deve ser normal, informou o funcionário.
segunda-feira, 15 de maio de 2006 O Estado de S. Paulo Bandidos queimam 41 ônibus na capital
Por segurança, CET não foi a alguns locais e o trânsito virou um caos 'O problema não é de vocês, é do governo', disseram a passageiros CRISE NA SEGURANÇA Na seqüência de ataques do crime organizado, os ônibus tornaram-se os novos alvos ontem. Pelo menos 41 ônibus foram queimados, só na capital, até a 0h30 de hoje. Em Campinas, foram quatro ataques do tipo e, à noite, todos os ônibus foram recolhidos e voltariam às ruas às 4h30. Em Jundiaí, onde houve quatro atentados, as empresas vão atrasar a operação em uma hora e meia, na manhã de hoje. Também houve ocorrências em Guarulhos e Diadema, na Grande São Paulo, São José dos Campos, Taubaté e São José do Rio Preto. Não há registro de feridos nesses casos. Os ataques na capital ocorreram durante todo o dia. Começaram à tarde e seguiram noite adentro. Segundo o Corpo de Bombeiros, ônibus foram queimados em toda a cidade. Os quatro primeiros ônibus incendiados foram abordados pelos bandidos por volta das 15 horas. Dois queimaram no Campo Limpo, zona sul. Um dos coletivos foi atacado no ponto final da linha Paraíso-Parque do Engenho. Armados, os bandidos fizeram o motorista rodar 20 minutos pelas Favelas do Piolho e Valquíria. Depois, foram até a Avenida Carlos Lacerda. Segundo a delegada do 37º Distrito Policial (Campo Limpo), Eliane Miniaci Conceição, o grupo disse ao motorista ser do PCC. Na Carlos Lacerda, comparsas aguardavam com galões de gasolina. Os criminosos ordenaram que motorista e cobrador corressem e não olhassem para trás. O outro coletivo foi atacado na Estrada de Campo Limpo. Os 15 passageiros tiveram de descer e, segundo uma testemunha, os bandidos atiraram duas vezes para o chão. Um deles teria dito: 'O problema não é de vocês, é do governo'. O que restava das peças e latarias dos dois veículos foi saqueado. Por medida de segurança, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) sequer foi aos locais e o trânsito ficou caótico. À noite, os ataques se intensificaram. A cada hora, eram registrados mais e mais ataques. No começo, concentravam-se nas zonas norte, sul e leste. Um dos ônibus foi queimado na Marginal do Tietê, perto da Ponte da Vila Guilherme. OUTRAS CIDADES Em Jundiaí, três ônibus foram incendiados no Terminal Secap e outro, no Terminal Eloy Chaves. Bandos também atacaram dois caixas eletrônicos. Em Guarulhos, o ataque ocorreu perto das 17h30, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Quatro menores assaltaram um ônibus no km 230 da Rodovia Presidente Dutra. Eles assaltaram os passageiros e atravessaram o canteiro. Pararam e queimaram outro ônibus. Em Diadema, o ataque ocorreu à noite, no bairro de Eldorado. O ataque em Rio Preto ocorreu às 21h40. Dois homens subiram, armados com pistolas e galões de gasolina. Mandaram 20 pessoas descerem, atearam fogo e fugiram. As chamas atingiram a rede elétrica e deixaram quatro quadras sem energia. No Vale do Paraíba, houve ataques a ônibus em Taubaté e São José dos Campos. Nessa cidade, a padaria de um vereador também foi incendiada no início da tarde. SOLANGE SPIGLIATTI, RODRIGO CERQUEIRA CESAR, ROSE MARY DE SOUZA, FÁBIO CHAUH, JOÃO CARLOS DE FARIA E CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO
segunda-feira, 15 de maio de 2006 Jornal da Tarde
segunda-feira, 15 de maio de 2006 Diário de S. Paulo
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| - EMTU abre concurso - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Jornal da Tarde EMTU abre concurso Empresa de Transportes Urbanos tem 40 vagas para assistente operacional, atendente de central e técnico de segurança do trabalho; inscrição começa hoje Começa hoje o período de inscrições para o concurso promovido pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU-SP). Os interessados em disputar uma das 40 vagas têm até o dia 26 para fazer a inscrição. Para concorrer a uma das18 vagas de atendente de central, o candidato deve ter concluído o ensino médio e disponibilidade para trabalhar nos fins de semana e períodos noturnos. Os candidatos aprovados vão atuar em São Bernardo do Campo com salário de R$ 1.097,75. Existem ainda 21 vagas para assistente operacional, para serem ocupadas pelo trabalhador que tem o ensino médio completo e carteira de habilitação categoria D. As oportunidades estão divididas entre Campinas (7 vagas), São Bernardo do Campo (7) e Praia Grande (7). Os profissionais devem ter também disponibilidade para trabalho em regime de escala. A remuneração é de R$ 1.505,85. Quem tem certificado de curso técnico em Segurança do Trabalho conta com uma oportunidade para a função de técnico de segurança do trabalho em São Bernardo do Campo. O interessado deve possuir registro na entidade de classe para receber salário de R$ 1.709,40. As inscrições podem ser feitas pelo site www.caipimes.com.br ou nos seguintes endereços: Rua Conselheiro Lafayette, 1.100, 1º andar, bairro Barcelona, São Caetano do Sul; Av. Presidente Kennedy, 11.080, Vila Mirim, Praia Grande; e Rua Leopoldo Amaral, 263, Vila Marieta, Campinas. Na Capital, os candidatos podem dirigir-se a uma das agências autorizadas do Banespa, na Praça da República; na Av. Paulista, 436; e na Rua da Consolação, 2.104. A taxa varia de R$ 30,00 a R$ 50,00. |
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| Trânsito |
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segunda-feira, 15 de maio de 2006 Jornal da Tarde Talão Zona Azul: agora pela internet Compre com antecedência o talão e ganhe tempo na hora de estacionar o carro O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anuncia hoje o início da venda de Zona Azul pela internet. Isso porque a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) autorizou a primeira empresa a realizar o serviço de acordo com as regras de preço e normas de segurança oficiais. Mesmo com a modernização do sistema, os atuais talões continuam válidos para todas as vagas de estacionamento de São Paulo.; ;A CET recomenda que os motoristas comprem os talões apenas dos revendedores oficiais. A relação pode ser encontrada no site da companhia (www.CETsp.com.br) ou pelo telefone da Prefeitura (156). Para evitar fraudes, outra dica é nunca permitir que terceiros preencham seu cartão de Zona Azul. Após o período de uso, jogue fora o cartão e não tente reutilizá-lo.; ;Atualmente, o motorista paga o preço do talão de 10 folhas a R$ 18. Cada folha é válida pelo período de uma hora. O valor vendido pela internet será o mesmo. ;As operações de compra pela internet poderão ser feitas com praticidade e segurança por meio do cartão de crédito ou débito, além de boleto bancário. A aquisição não terá custo adicional para o interessado, que receberá seu pedido via correspondência em até 48 horas, após a confirmação de pagamento.; ;De acordo com a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT), o principal benefício previsto para a população com a venda na internet é acabar com a falsificação na operação e também no pagamento do preço oficial por parte do usuário.
segunda-feira, 15 de maio de 2006 O Estado de S. Paulo CET autoriza venda de Zona Azul pela internet TRÂNSITO O prefeito Gilberto Kassab anuncia hoje o início da venda de cartões da Zona Azul pela internet. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) autorizou uma empresa a realizar o serviço, pelas mesmas regras de preço e normas de segurança oficiais. Os talões atuais continuam válidos. A CET recomenda a compra só em revendedores oficiais, a lista pode ser obtida no site www.CETsp.com. br ou pelo telefone 156. |
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segunda-feira, 15 de maio de 2006 O Estado de S. Paulo Marginal em obras Prefeitura e Estado começaram ontem o recapeamento de 7,3 quilômetros da Marginal do Tietê, entre o Cebolão até a Ponte Ulysses Guimarães. No sábado, teve inicio a recuperação de 7,9 quilômetros da Marginal do Pinheiros. As obras devem terminar em setembro. |
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| Cidade |
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- IPTU agora com desconto - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Jornal da Tarde IPTU agora com desconto Vence a partir de 5ªf prazo para regularizar dívida DANIEL GONZALES, daniel.gonzales@grupoestado.com.br Começam a vencer no dia 18, próxima quinta-feira, os prazos para os contribuintes que desejam regularizar suas dívidas de IPTU atrasado com a Prefeitura, por meio do PPI (Programa de Parcelamento Incentivado). Se entrar no programa, o paulistano receberá desconto significativo em sua dívida, pois o governo municipal vai descontar o valor da multa pelo atraso e 100% dos juros de mora, o que pode reduzir o valor a menos da metade. ;Quem tem dívidas entre R$ 2.000,01 e R$ 50 mil, recebeu a carta da Prefeitura propondo o parcelamento e quem aderir ao programa pagando a dívida em até 12 vezes deve pagar a primeira parcela - ou a parcela única, se assim desejar - até a data do primeiro vencimento, na quinta-feira. Para dívidas de outros valores, há outros vencimentos (veja quadro). Se a pessoa pagar a primeira parcela, a Prefeitura entenderá que ela aderiu ao PPI. ;Caso o devedor ache que a proposta feita na carta da Prefeitura não é adequada ao seu orçamento, pode simplesmente desconsiderá-la e ele ainda tem até o dia 30 de junho para decidir se vai entrar no programa para refinanciar sua dívida com o IPTU. Nesse caso, deve acessar o site da Secretaria Municipal de Finanças (www.prefeitura.sp.gov.br/ppi) e, lá, verificar as opções disponíveis para o seu caso. É possível pagar em até 10 anos, mensalmente, em parcelas que sofrerão correção mensal. A data de vencimento das parcelas será a mesma em que a pessoa efetuar o primeiro pagamento. Isso também significa que o contribuinte aderiu ao programa e está se comprometendo a pagar no prazo. Para os dois casos - aceitação nas condições propostas pela Prefeitura na carta ou adesão por meio da internet - um atraso de mais de 60 dias no pagamento de qualquer parcela significará a exclusão imediata do programa. Até o último dia 11, 3.600 pessoas tinham efetuado a adesão ao PPI pela internet. Outros impostos: pela internet O mesmo cadastro pela internet vale para quem tem dívidas com outros tributos ou multas, que não o IPTU, como o ISS ou a taxa do lixo, por exemplo. Nesse caso, a adesão ao PPI por enquanto é feita exclusivamente pelo site, também só até 30 de junho. Para a taxa do lixo, a Prefeitura fará um processo separado, embora os devedores também possam aderir desde já. Quem quiser, pode aguardar até junho. No mês que vem, a Secretaria de Finanças passa a enviar cartas com proposta para o pagamento, via PPI, exclusivamente da taxa do lixo. Os vencimentos serão em outras datas, por volta de agosto. Qualquer contribuinte que tem dívida com a Prefeitura anterior a 31 de dezembro de 2004 - exceto multas de trânsito - pode aderir ao PPI. Não é necessário que o interessado esteja em dia com os tributos de 2005 e 2006 para se beneficiar. A pessoa ainda pode escolher qual ou quais dívidas quer pagar, no caso de ter mais de uma. Se não quiser usar o programa, o contribuinte continua devedor da Prefeitura. No entanto, se resolver pagar o débito depois, não vai ganhar o desconto das multas e dos juros que está devendo. Ou, se não pagar, pode ter o nome inscrito na dívida ativa da Cidade e ser cobrado judicialmente pelo governo. |
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| Economia |
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| - Corretora sugere ações da ALL após compra da Brasil Ferrovias - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Folha de S. Paulo Corretora sugere ações da ALL após compra da Brasil Ferrovias BOLSA Papéis do setor de telefonia lideram baixas na semana DA REPORTAGEM LOCAL A semana não foi boa para o mercado doméstico. A Bolsa de Valores de São Paulo registrou desvalorização de 2,91% na semana passada. Das 55 ações que compõem o Ibovespa, o principal índice da Bolsa paulista, 42 tiveram perdas na semana. "O Ibovespa iniciou um movimento de realização de lucros, influenciado pela alta dos juros nos EUA, pela elevação do risco-país e pela divulgação de resultados no mercado interno, que pouco empolgaram os investidores", avalia Eduardo Kondo, analista da Concórdia Corretora. Nesse cenário negativo, apenas uma nova ação passou a ser recomendada. Na carteira teórica da SLW, saiu a ação ON do Banco do Brasil e entrou a Unit da ALL. Kelly Trentin, analista de investimentos da SLW, justifica a troca ao afirmar que a ação do Banco do Brasil teve boa valorização na semana (8,38%). "E a ALL, que anunciou a aquisição da Brasil Ferrovias, deve entrar numa nova fase de forte crescimento", diz. Ações do setor de telefonia lideraram as baixas na semana. O papel preferencial da Vivo teve queda de 14,87% no período, seguido por TIM Participações PN, que caiu 10,64%. O papel PN da Embratel Participações, por outro lado, subiu 19,02% e liderou a semana. |
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| Política |
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| - Assédio ao PMDB se intensifica - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Jornal da Tarde Assédio ao PMDB se intensifica A derrota da candidatura própria do PMDB na convenção nacional intensificou a corrida do Palácio do Planalto e do PSDB para fechar o maior número de alianças com o partido nos Estados e iniciar as articulações para um eventual segundo turno da eleição. O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, se reúne hoje às 10 horas com o ex-presidente Itamar Franco, que agora deve disputar o Senado. A idéia é garantir o apoio de Itamar, que ainda tem prestígio eleitoral em Minas, à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A pedido de Lula, o próprio Tarso ofereceu ao PMDB a vaga de vice-presidente na chapa do PT à Presidência, em conversa com o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP). Mas, essa hipótese está afastada com o resultado da convenção nacional que reprovou a candidatura própria. O pré-candidato Anthony Garotinho reagiu à derrota e aguarda decisão judicial, para tentar manter seu projeto eleitoral. Temer marcou para 11 de junho a convenção nacional para, definitivamente, resolver o assunto. Mas, os parlamentares do PMDB entendem que ela será atropelada pelos acordos estaduais que estão em curso e serão acelerados. |
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| Geral |
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| - 74 mortes, 150 ataques, 80 rebeliões - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Folha de S. Paulo 74 mortes, 150 ataques, 80 rebeliões GUERRA URBANA PCC ataca ônibus e fóruns, promove megarrebelião e amplia medo no Estado No terceiro dia de terror provocado pela facção criminosa PCC, a violência se espalhou em São Paulo. Os ataques não se resumiram a bases da polícia. Ao menos 36 ônibus foram incendiados. Fóruns da Justiça também sofreram atentados. Pelos menos três agências bancárias e um prédio comercial foram atacados. Desde sexta, presos se rebelaram em 80 presídios (cadeias públicas e penitenciárias) -55 continuavam dominados pelos presos até o fechamento desta edição-, superando a megarrebelião de 2001, quando houve motins em 29 unidades. O protesto teve a solidariedade de presos de Mato Grosso do Sul. Em uma das rebeliões de ontem, detentos de uma cadeia pública do interior jogaram colchões em chamas contra um delegado, que teve queimaduras em 64% do corpo. Em São Sebastião, oito presos morreram; em Ribeirão Preto, cinco. Segundo dados divulgados à noite pela Secretaria da Segurança Pública, 61 pessoas morreram nos atentados -36 agentes de segurança, dois civis e 23 suspeitos de participar das ações. Houve 13 mortes nas prisões, num total de 74 vítimas. O governo paulista nega que a situação esteja fora do controle e recusou ajuda do Exército. À Folha, o governador Cláudio Lembo (PFL) disse que já sabia dos ataques há 20 dias. Policiais que atuam na rua, porém, dizem que não foram alertados. GUERRA URBANA Segundo um delegado e o comandante-geral da PM, esse é o novo modo com que a facção tenta demonstrar força; ontem, dois foram atacados Bancos são novo alvo do PCC, diz polícia ANDRÉ CARAMANTE e FABIANE LEITE - DA REPORTAGEM LOCAL Atacar instituições financeiras. Essa é, segundo o delegado Godofredo Bittencourt e o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, a nova estratégia de atentados da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para tentar demonstrar força. No início da noite de ontem, enquanto as cúpulas das policiais Civil e Militar estavam reunidas para traçar novas estratégias de combate aos atentados da facção, segundo a Secretaria da Segurança Pública, dois bancos foram atacados por criminosos: um Bradesco, em São Miguel Paulista, na zona leste, foi alvo de tiros; e um Itaú, em Taboão da Serra (Grande São Paulo), foi incendiado com um coquetel molotov. De acordo com o delegado Bittencourt, responsável pelo Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), que mantém um setor de inteligência para tentar coibir ações do PCC, os líderes do grupo já estiveram em prisões paulista ao lado de criminosos com formação em guerrilha urbana, caso de Maurício Hernandez Norambuena, apontado como o líder da quadrilha que seqüestrou o publicitário Washington Olivetto e é da Frente Patriótica Manuel Rodríguez. "Os ataques fazem parte da estratégia de guerra para desequilibrar. A bronca deles não é somente contra os atos da polícia, existe uma insatisfação social. Estão fazendo esses ataques [aos bancos] para criar desequilibrio social e econômico. Pode, daqui para frente, ter um cunho político. Existe uma série de situações que teremos de analisar", disse Bittencourt. "Nós tinhamos nas interceptações [telefônicas] essa informação dos ataques aos bancos. Eles [criminosos] estão mudando na hora que vêem que é possível ser preso. Isso que está acontecendo não é supreresa. Tanto que só atacaram dois [bancos] porque o resto estava policiado. Eles não estão atacando o povo, tanto que os ônibus que foram queimados tiveram os passageiros foram retirados, eles atacam imóveis para demonstrar o poder", continou o delegado. Antes do anúncio de que os bancos passaram a ser alvos dos ataque do PCC, o comandante-geral da PM, coronel Borges, fez declarações emocionadas sobre a onda de violência no Estado. Segundo ele, "com marginal não se negocia, bandido é bandido, Estado é Estado; e bandido, se vai para o confronto, morre mesmo." Para o comandante da PM, o Estado conseguiu, nas últimas horas, reverter o jogo contra a violência do PCC. Ao longo da entrevista convocada ontem à noite, ele anuncioiu, em duas ocasiões diferentes, o aumento no número de mortos em supostos confrontos com policiais. O anúncio do oficial começou com um número de 14 mortos em possíveis confrontos, ao longo dos pronunciamentos, assessores do secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, entregavam bilhetes com as novas mortes. No fim da entrevista, o comandante já falava em 23 "criminosos" mortos. Ontem, a Folha solicitou à Secretaria da Segurança Pública a identificação completa dos mortos e presos durante a onda de atentados, mas o órgão disse não ter como informar que eram os supostos criminosos. O comandante da PM também disse que, durante as negociações para o fim de rebeliões, a Tropa de Choque da corporação não invadiu presídios porque diretores de unidades, atendendo a pedidos de advogados de criminosos, solicitavam que a ação da PM não acontecesse. Foi exatamente isso que o pediu ao governo o detento Orlando Mota Júnior, 34, o Macarrão, líder do PCC, pediu ontem aos emissários do governo que tentaram negociar com ele o fim da rebelião. "Celular hoje é mais perigoso do que uma arma" DA REPORTAGEM LOCAL O diretor do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado, Godofredo Bittencourt, reconheceu ontem o descontrole sobre a entrada de celulares nos presídios e defendeu que operadoras de telefonia cortem a comunicação por meio desses aparelhos nas regiões nas prisões. Segundo Bittencourt, os contatos por telefone móvel são um dos principais obstáculos no combate aos ataques feitos em São Paulo. "Eu considero o celular mais perigoso que uma arma. Toda cadeia tem celular. Nós estamos brigando, e pedindo para as operadoras, isso faz mais de um, dois anos, para que se faça bloqueio dentro da cadeia", afirmou o diretor. De acordo com Bittencourt, as operadoras vêm apresentando dificuldade técnicas que ele afirma "não entender". "A verdade é que não se preocuparam, não evitaram, não conseguiram até hoje que o celular não fale dentro da cadeia. Eu tenho até uma idéia bem radical. Por que não parar de falar em celular pelo menos 10, 15 dias para que a polícia possa combater o que está acontecendo? Vamos cortar a comunicação de preso", afirmou ainda Bittencourt durante entrevista coletiva. "Vamos fazer com que essas operadoras inutilizem essas ERBs todinhas. Vai prejudicar? Vai. Morador rico, pobre, mas o interesse social é muito maior. Existe estratégia de guerra", continuou em referência às Estações Rádio-Base (ERB), que encaminham as ligações de celulares. Pressão O diretor disse que cabe a todos os níveis de governo, ao Legislativo e ao Ministério Público pressionar para que as empresas de telefonia cortem os sinais dos celulares nos presídios. Segundo Bittencourt, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, já se colocou à disposição do governo do Estado. Questionados sobre a existência de funcionários corruptos nas forças de segurança -que poderiam permitir a entrada indevida de celulares, por exemplo, entre outras irregularidades-, Bittencourt Filho e o comandante da PM, Elizeu Borges, disseram que é "utopia" querer ter os serviços totalmente livres de corrupção. (AC e FL) Agências do Itaú e Bradesco são atacadas DA REPORTAGEM LOCAL A onda de ataques criminosos em São Paulo chegou na noite de ontem a três agências bancárias, um caixa eletrônico e um prédio comercial. Ninguém se feriu. Uma bomba ou coquetel molotov atingiu a agência do Itaú na rua Vicente Pinzon, Vila Olímpia, bairro nobre da zona sul de São Paulo, segundo o delegado Rogério Nader, plantonista do 96º DP (Brooklin). Um prédio comercial vizinho à agência foi metralhado. O vigilante escapou ileso. Os policiais encontraram o carro usado na ação, um Fiesta. Em Taboão da Serra, na região metropolitana, uma agência do mesmo Itaú foi alvo de uma explosão e acabou quase toda destruída pelo incêndio que se seguiu. Segundo relato de moradores, dois homens chegaram ao local -que é bastante movimentado-, por volta de 20h30, em uma motocicleta. Ainda segundo esses relatos, eles arrombaram um caixa e deixaram a agência em seguida. Minutos depois, uma forte explosão iniciou o incêndio. A polícia não confirma o arrombamento do equipamento e diz não ter pistas sobre suspeitos. Os bombeiros chegaram só às 21h30 à agência, apesar de, bem próximo dali, alguns policiais civis estarem realizando uma blitz. A chegada dos bombeiros foi acompanhada por policiais militares. Enquanto uns combatiam o fogo, outros ficavam atentos a toda a movimentação das ruas. Segundo o delegado Fabiano Amorim, do 1º DP de Taboão, o ato tem ligação com a série de ataques a policiais comandada pelo PCC. A polícia realizará perícia para identificar o material utilizado pelos criminosos para detonar o local. O tenente Dorival Genesi, dos bombeiros, afirmou que podem ter sido utilizadas, inclusive, granadas. "A explosão foi forte." A polícia afirmou que pretende pedir as fitas do sistema de monitoramento interno do banco para tentar identificar os criminosos. Na Vila Buenos Aires, zona leste da capital, uma agência do Bradesco foi atingida por cerca de dez tiros. Um quiosque do Banespa na avenida Antenor Soares Gandra, na cidade de Jundiaí (60 km de SP), foi atingido por duas bombas. (CONRADO CORSALETTE, KLEBER THOMAZ, CÁSSIO AOQUI, FABIANE LEITE E FERNANDA BASSETTE)
GUERRA URBANA Em São Sebastião, oito presos morreram e 14 ficaram feridos; delegado de Jaboticabal é incendiado e corre risco de morte Rebelião envolve 52% dos detentos de SP DA AGÊNCIA FOLHA - DA FOLHA RIBEIRÃO DA REPORTAGEM LOCAL As 80 rebeliões lideradas pelo PCC em unidades da capital e do interior de São Paulo atingiram pelo menos 62% dos presos do Estado, com 381 reféns. Esses números se referem aos motins deflagrados em 71 presídios administrados pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Também ocorreram rebeliões em nove cadeias públicas, administradas pela Secretaria da Segurança Pública (que não forneceu o número de presos e de reféns em suas unidades). Os registros indicam 13 presos mortos. Até a noite de ontem, 55 unidades (entre presídios e cadeias) continuavam amotinadas, com 237 reféns. Essas rebeliões em curso mobilizam 42,5% dos 124.446 presos do Estado sob administração da SAP. Em um dos levantes, o delegado Adelson Taroco, 39, foi incendiado por presos na cadeia de Jaboticabal e, de acordo com o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, corre risco de morte. Na cadeia de São Sebastião, oito presos morreram e 14 ficaram feridos. A megarrebelião comandada pelo PCC se alastrou nas últimas 48 horas, atingindo 57 presídios e 273 reféns às 13h de ontem. O movimento chegou a abranger mais da metade da população carcerária de São Paulo: havia 64.401 presos -52% dos presos do Estado- nas 57 unidades amotinadas às 13h de ontem. Às 18h, os presídios somavam 41% da população carcerária. A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), que centralizou as informações sobre as rebeliões, não divulgou o número de feridos nos motins. No CDP 1 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros (zona oeste da capital) tiros começaram a ser ouvidos durante a manhã. Ao meio-dia, a unidade foi tomada e as visitas ficaram retidas. Às 18h, visitantes começaram a sair. Interior No oeste paulista, a situação mais tensa era em Irapuru (631 km da capital), onde a tropa de choque da PM se posicionava para entrar no presídio, que abrigava cinco reféns. As negociações foram suspensas no fim da tarde. Em Martinópolis (553 km a oeste), 12 trabalhadores ainda estavam sob o domínio dos presos. Pela manhã, numa tentativa de fuga, dois detentos foram feridos. Nas rebeliões em três penitenciárias do complexo-penitenciário Campinas-Hortolândia, 21 agentes foram feitos reféns, sendo que dez deles ficaram feridos. No CDP de Bauru, um agente disse que a unidade estava "quebrada". Segundo ele, havia no local 130 visitantes. A PM de Itapetininga informou que dois agentes tiveram ferimentos leves. Em Franca, dois atentados feriram um carcereiro, um policial militar e um comerciante, que foi atingido no peito e na perna e está internado em estado grave. Na Penitenciária 2 de Reginópolis, quatro carcereiros e 300 visitas eram mantidas no presídio. Na Penitenciária 2 de São Vicente, os presos subiram até as caixas-d'água da unidade. Familiares que aguardavam informações na porta da cadeia se comunicavam com os detentos por meio de telefones celulares. Os motins terminaram em São José dos Campos, Araraquara, Serra Azul e Ribeirão Preto. (THIAGO GUIMARÃES, CRISTIANO MA CHADO, RAQUEL BOCATO, MARIANA CAMPOS, RACHEL AÑÓN, MARCELO TOLEDO, FABRÍCIO FREIRE GOMES, MAURICIO SIMIONATO E SIMONE HARNIK) Presos do MS fazem rebeliões de apoio ao PCC HUDSON CORRÊA - DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ (MT) Internos de quatro presídios do Mato Grosso do Sul começaram ontem rebeliões "cumprindo ordem do PCC", segundo o Comando Geral da PM. Até o fim da tarde havia 14 funcionários de presídios reféns. A PM informou, à noite, que há um agente refém ferido na barriga com um golpe de chucho (faca artesanal) no presídio de Campo Grande. Seis presos ficaram feridos também, mas foram liberados do motim. Como não entrou no presídio, a PM não confirma mortes de presos. Familiares visitantes que conseguiram sair teriam falado em quatro assassinatos. Por volta de 21h, presos rebelados em Campo Grande e Dourados suspenderam a negociação com a PM. Eles estariam seguindo uma orientação do PCC. Ao menos 250 visitantes continuavam no presídio de Dourados para tentar evitar a invasão por policiais militares. O diretor-geral da Agepen (Agência de Administração do Sistema Penitenciário), Luiz Carlos Telles, afirmou que "vários presos" de Mato Grosso do Sul são ligados ao PCC e que uma equipe de negociação recebeu informação de que rebeliões ocorreram em solidariedade àquela facção criminosa. No presídio de segurança máxima de Campo Grande, onde estão presos 1.400 homens, três agentes eram reféns. Em Dourados, com cerca de 1.400 presos, havia sete reféns. Em Três Lagoas, três agentes e uma enfermeira ficaram em poder dos presos, segundo a Agepen. No Paraná, a PM informou que aconteceram rebeliões ontem em presídios de Foz do Iguaçu e Cascavel, no oeste do Estado. Presos teriam tentado se rebelar em Toledo e Assis Chateaubriand, mas a polícia não confirmou as ocorrências. A Polícia Civil de Foz diz desconhecer ligação de presos do "cadeião" com o PCC, mas disse que o local tem detentos de todo o país. O comandante da Polícia Militar de São Paulo, Eliseu Eclair, afirmou, na noite de ontem, que a revolta comandada pelo PCC atingiu penitenciárias nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Alagoas. "Isso prova que a preocupação não é só no Estado de São Paulo", afirmou. Colaborou a Reportagem Local GUERRA URBANA Ao menos cinco bombardeiam delegacia em Francisco Morato DA REPORTAGEM LOCAL Pelo menos cinco pessoas a pé, ligadas ao PCC, bombardearam a única delegacia de Francisco Morato (48 km ao norte de São Paulo) na madrugada de ontem. Três policiais estavam no plantão, mas não se feriram. Os responsáveis pelo ataque fugiram. Segundo a polícia, por volta da 1h15 três artefatos explosivos foram arremessados pela janela que dá para os fundos do prédio de dois andares, no centro da cidade. Ao se chocarem com o chão, os artefatos destruíram as salas de comunicação e de identificação de suspeitos, além de parte da cadeia, que estava desocupada no momento do ataque. O impacto da explosão foi tão forte que arrancou a porta da cela e danificou a estrutura do prédio, que ficou repleto de rachaduras. "Eles terão de começar a reforma do prédio amanhã, senão algumas salas podem vir a desabar", disse um major da Polícia Militar, que vistoriou o local, mas pediu para não ser identificado. Segundo um delegado, que só aceitou falar sem dar seu nome, os policiais haviam sido avisados sobre a possibilidade de ataques. "Foi um ato terrorista. Eles saíram gritando que devíamos morrer", falou um investigador, que afirmou ter escapado da morte só porque não estava no local da explosão na hora. Mesmo assim, o medo de novos atentados espantou a população, que praticamente não fez ocorrências no setor. "Aos domingos, atendemos muitos casos de furto, mas parece que o pessoal prefere ser roubado a querer vir aqui registrar", disse um policial, que disse ter recebido uma informação do serviço de inteligência de que o local corre o risco de ser atacado novamente. (KLEBER TOMAZ) No litoral de SP, cinco policiais são assassinados MARIANA CAMPOS - DA AGÊNCIA FOLHA, EM SANTOS e MAURÍCIO SIMIONATO - DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS A série de atentados cometidos contra as forças de segurança de São Paulo causou a morte de cinco policiais em cinco cidades da Baixada Santista. Os ataques foram registrados do início da noite de anteontem até a manhã de ontem. Segundo o delegado Everardo Tanganelli Júnior, diretor do Deinter-6, um carcereiro, um agente de segurança penitenciária, dois policiais militares e um guarda-civil metropolitano foram mortos. Outras 13 suspeitos também morreram. O primeiro crime ocorreu por volta das 19h em São Vicente. Segundo a polícia, o carcereiro João Marcos Fernandes estava em um bar quando dois homens entraram atirando. Em Praia Grande, o agente de segurança penitenciária Brás Gonçalves de Macedo, 36, foi baleado às 20h. Em Santos, o PM Marcos Antonio Rodrigues de Mello, 39, foi baleado às 21h por dois homens que passaram de moto. Em Bertioga, o guarda civil metropolitano Carlos Mitsuru Horikawa, 38, foi morto dentro de seu veículo quando trabalhava no Forte São João. O quinto assassinato foi de um policial militar, no Guarujá. GUERRA URBANA Em São Miguel, base da GCM é metralhada em praça lotada CLÁUDIA COLLUCCI,FERNANDA BASSETTE e CONSTANÇA TATSCH - DA REPORTAGEM LOCAL 14h de ontem. A praça da Vila Mara, em São Miguel Paulista (zona leste), estava lotada. Garotos brincavam na pista de skate, ao lado da minibiblioteca. Várias pessoas circulavam na rua São Gonçalo do Rio das Pedras, onde havia uma feira livre. Na ponta da praça, uma unidade da GCM (Guarda Civil Municipal) com pelo menos oito guardas no interior. De repente, dois carros, com cinco pessoas em cada um, passaram em alta velocidade e dispararam tiros de metralhadora contra a base da CGM. Dois guardas, um homem e uma mulher, ficam feridos. Os colegas não revidaram em razão do grande número de pessoas que circulavam pelo local. "Se tivéssemos revidado teria sido uma tragédia", afirma o inspetor-chefe regional da GCM, Rovilson José Laudino. Segundo ele, um dos guardas só não foi morto porque usava colete à prova de balas. "Mesmo assim, ele quebrou as costelas", diz Laudino. A guarda feminina foi baleada na coxa. Ambos estão internados no Hospital Municipal Tide Setubal, mas não correm risco de morte. O caso foi registrado no 22º DP. Na noite de ontem, o clima na Vila Mara era de silêncio e medo. A pracinha alvo do ataque, que normalmente fica lotada até por volta da meia-noite, estava vazia. Assustadas, as famílias não deixaram os filhos saírem às ruas. "Passei o dia em Guarulhos e quando cheguei soube do tiroteio. Minha mãe não deixou mais a gente sair de casa", disse uma jovem de 18 anos, atrás das grades do conjunto habitacional Vila Mara, que fica em frente à praça. A Folha bateu na porta ou apertou a campainha de cinco casas vizinhas, mas apenas um morador atendeu a reportagem. Ele disse que tinha ouvido os tiros, mas preferia não comentar o ataque. "Estamos com muito medo." O mesmo pavor podia ser visto nos olhos dos quatro guardas municipais, que, armados com submetralhadoras, faziam a segurança da base alvejada à tarde. Eles impediram a aproximação da reportagem da Folha e a aconselharam sair rapidamente do bairro. "Está muito perigoso", disseram. Perto dali, policiais fortemente armados revistavam os carros que passavam pelas ruas. Bombeiros Um suspeito foi morto ontem após troca de tiros com policiais militares em Perus, zona norte de São Paulo. De acordo com a polícia, ele estava com uma granada e pretendia jogá-la contra um posto do Corpo de Bombeiros. O tiroteio aconteceu às 14h30, depois que a polícia foi avisada por um telefonema anônimo da possibilidade de um ataque na região. Durante patrulhamento, quatro policiais avistaram uma moto suspeita e, segundo a Polícia Militar, foram recebidos com tiros, a 100 metros do Corpo de Bombeiros. O carro da polícia foi acertado duas vezes. Um dos suspeitos fugiu e o outro morreu. Bombeiros dizem ter visto um homem passar a pé pelo local, olhando detalhadamente o posto. Depois do tiroteio, ele voltou correndo e foi resgatado por uma outra moto. Para a corporação, a dupla estaria vigiando o local, com o objetivo de dar aval para outra dupla realizar o ataque. Uma granada foi encontrada com o morto, que não portava documentos, mas usava um boné com o símbolo chinês do yin-yang -adotado como escudo da facção PCC. "Tem um monte de tiros vindo para o seu lado e você não sabe o que vai acontecer. A gente fica pensando nas famílias o dia todo", disse um policial que participou do tiroteio e pediu para não ter o nome divulgado. Entre os bombeiros, o clima era ainda mais tenso. Atrás dos portões fechados, eles observavam atentamente cada carro que passava diante do posto e temiam o que estaria por vir à noite. "Os bombeiros não estavam preparados para esse tipo de ataque. A cultura do bombeiro não é de repressão", disse um deles, que também não quis ser identificado. "A gente sente preocupação e revolta", afirmou outro, relembrando a morte de um amigo bombeiro na noite de anteontem, em um ataque no centro de São Paulo. Moradores de SP tentam sair fora da linha de tiro DANIELA TÓFOLI - DA REPORTAGEM LOCAL Dona Renata achou por bem não sair de casa. Eduardo saiu de carro, mas foi parado em duas blitze. Silvio foi dar uma volta à pé com os dois filhos e teve de passar o resto do dia tentando fazê-los esquecer dos policiais armados que encontraram pelo caminho. As cenas que boa parte dos moradores da capital viu neste fim de semana pareciam saídas de um filme de guerra. Foi assim que os pequenos Cléber, 9, e Lucas, 7, se sentiram quando foram fazer a feira com o pai, o professor Silvio Reis, de 36 anos, na Vila Romana, zona oeste de São Paulo. Ao passarem em frente ao 7º Distrito Policial, que estava todo cercado, viram de pertinho policiais armados na calçada. "O Cléber parou e me disse: "Pai, parece filme de polícia. Eles vão começar a atirar?", me perguntou. Tentei tranqüilizá-los, mas não dava para explicar direito o que estava acontecendo", conta Silvio. Impressionados, os meninos passaram o dia comentando a cena, até que o pai resolveu ir a uma locadora para alugar um desenho infantil. "Eles não paravam mais de falar naquilo e achei melhor ocupar a cabecinha deles com outra coisa", diz. "Espero que esqueçam o assunto." Encontro cancelado A aposentada Renata Gama, 68, não conseguiu esquecer o que tinha visto nos jornais e resolveu não colocar sua segurança em risco. Tinha combinado de encontrar algumas amigas na tarde de ontem, mas cancelou o compromisso. "Não vou sair de casa até essa confusão acabar. A gente nunca sabe onde pode acontecer um tiroteio nesta cidade." Renata mora perto da rua Itapicuru, em Perdizes, onde fica o 23º DP. Lá os policiais também interditaram a rua em frente à delegacia e só entravam os carros dos moradores. Segundo um policial, que não quis se identificar, ninguém havia aparecido para registrar nenhuma ocorrência ontem. Vários distritos da capital optaram por fechar seus quarteirões para evitar atentados. Equipes da polícia também fizeram blitze por toda a cidade causando congestionamento em várias vias. O estudante Eduardo Reis, 22, foi parado em duas delas no sábado. "Sei que eles precisam garantir a segurança, mas ser parado duas vezes é muito azar." A administradora Rafaela Gomes, 32, também saiu de carro mas desviou de todas os carros policiais que encontrou pelo caminho com medo de algum ataque. "Se resolvem metralhar uma viatura ao meu lado, pode sobrar alguma bala para mim. É melhor não correr nenhum risco." Funcionários de um posto de gasolina em frente ao 11.º Batalhão da Polícia Militar, na rua Vergueiro, Ricardo Moraes, 23, e Adriano Alessandro da Silva, 28, também passaram um fim de semana de medo. "Qualquer barulho a gente já se assusta. Nunca sabemos se pode ser alguma emboscada para os policiais", diz Ricardo. "Além de tudo, ainda quase não tivemos trabalho por aqui. O movimento caiu muito neste fim de semana porque ninguém quer abastecer o carro na frente de um batalhão da polícia." O 11º batalhão é vizinho do 5º DP, na rua Professor Antônio Prudente. Tanto ela quanto a Vergueiro estavam parcialmente interditadas. Funcionária de um bar do lado oposto da delegacia, Teresa da Silva, 28, era exceção e dizia não estar com medo. "Já me acostumei com a violência. Agora só torço para que essa interdição acabe logo, senão vai prejudicar o bar", afirmava. "Esse clima de filme de guerra não é nada bom para os negócios." GUERRA URBANA Pais do empresário também foram baleados em emboscada, na zona norte, atribuída ao PCC e permanecem hospitalizados Filho de policial é morto na porta de casa FÁBIO TAKAHASHI - DA REPORTAGEM LOCAL O filho de um policial civil foi assassinado a tiros anteontem à noite no bairro de Parada de Taipas (zona norte), em mais um ataque atribuído ao PCC no Estado. O policial e a mulher dele também foram baleados, mas não correm risco de morte. O crime ocorreu por volta de 23h30. Segundo a Polícia Civil, o empresário Renato Santos, 27, foi baleado por um grupo de homens quando estacionava seu Ômega na garagem de casa. A polícia não soube informar quantos disparos o grupo fez contra Santos, abordado pelos homens e atingido na altura do coração, segundo vizinhos. Assustados com o som dos tiros, os pais de Renato -o policial civil Lourival dos Santos, 62, e sua mulher, Valéria Alusci dos Santos, 53- saíram em direção à garagem para ver o que havia ocorrido. O grupo, formado por dois ou três homens, de acordo com testemunhas, tornou a atirar. Dois vizinhos que socorreram a família atingida afirmam que, quando chegaram ao local, Renato dizia: "Socorram o meu pai, socorram o meu pai". O rapaz, que era dono de uma videolocadora, morreu na porta de casa. Os moradores contaram ainda que o policial conseguiu correr para dentro de casa depois de alvejado, e a mulher, sem se dar conta de que fora alvejada, também pedia socorro para os outros. De acordo com testemunhas, os autores do crime atiraram, ao todo, cinco vezes. Depois disso, os bandidos fugiram a pé. "Os caras sabiam que morava um policial ali", disse um policial civil que atendeu à ocorrência. Após o ataque, o policial civil e a mulher foram hospitalizados e, segundo informações do hospital, não correm risco de morte. Famílias de policiais estão apavoradas CLÁUDIA COLLUCCI - DA REPORTAGEM LOCAL Maria, 45, não dorme desde sexta-feira, quando seu marido, um policial militar, foi ferido no abdome em uma base na zona leste. Nas poucas horas em que conseguiu cochilar, na cadeira ao lado da cama em que ele segue internado, Maria teve pesadelos. "Sonhei que metralhavam a minha família toda. Acabou a nossa paz. Assim que ele sair dessa, vou convencê-lo a mudar de vida", diz Maria, chorando. Os dois filhos do casal, de 13 e 15 anos, estão na casa de parentes no interior. O sentimento de pavor expresso por Maria se repete nas outras famílias de policiais e guardas municipais feridos. O medo e o silêncio imperam. A maioria se recusa a dar entrevistas. "Já imaginou se fosse com a sua família. Você tem pai ? Marido? Filho? Se tem, sabe que o momento é de luto", disparou a filha de um guarda municipal ferido na zona sul, que aguardava notícias no saguão do hospital. O guarda não corre risco de morte, mas, por determinação da família, o hospital disse que não poderia dar informações. O irmão de um policial ferido levemente na madrugada de anteontem e que já teve alta disse que os ataques "destruíram" o Dia das Mães das famílias de policiais. "Ninguém mais está seguro. Os bandidos conhecem os policiais, sabem onde eles moram." A Folha tentou contato com famílias de feridos em pelo menos outros cinco hospitais públicos. Em todos eles, recebeu a informação de que os familiares não haviam autorizado a divulgação de informações sobre os feridos. Segundo o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM, Wilson Moraes, as famílias estão "apavoradas" e pediram que a entidade não divulgue nomes dos feridos nem os locais onde estão internados. "Se nem os policiais estão em segurança, imagine suas famílias. Todos estão apavorados, temendo pela vida." Para ele, está sendo um erro o governo do Estado não aceitar ajuda federal. "Não há controle algum da situação. Mesmo com o reforço, os ataques continuam. Os policiais estão acuados." Moraes diz que até ele está sofrendo ameaças de morte. "Cancelei duas entrevistas hoje por razão de segurança." Ele não faz idéia do número de policiais feridos. "Ninguém consegue essa informação. Nem a gente." A mesma falta de dados atinge a Associação dos Delegados de Polícia. Segundo a assessoria de imprensa, a entidade tentou fazer uma homenagem com os nomes dos mortos e suas fotos, e os feridos, mas não obteve as informações. Espera conseguir hoje. GUERRA URBANA Governador afirma estar "com controle absoluto" da situação e que "estão misturando ações do PCC com crimes próprios da cidade" Lembo diz que já esperava ações há 20 dias FABIO SCHIVARTCHE - CÁTIA SEABRA - DA REPORTAGEM LOCAL A polícia de São Paulo sabia há três semanas que o PCC planejava atacar as forças de segurança do Estado, disse ontem à Folha o governador Cláudio Lembo (PFL). "Uns 20 dias atrás nosso serviço de inteligência havia recolhido folhetos manuscritos dentro de unidades prisionais. Era uma troca de informações que sinalizavam para uma série de ataques programados para ocorrer no domingo do Dia das Mães", disse Lembo, repetindo. "Não somos desvairados. Tínhamos informações". Assessores do governador dizem que eram esperados "eventos explosivos". Foi com base nessa programação do PCC que Lembo reuniu um comitê de emergência com seus principais secretários na quarta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, sede da gestão estadual. No encontro decidiu-se pela transferência, já no dia seguinte, para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau de Marcola, o principal chefe da facção criminosa, e de outros 764 detentos. "Nossa expectativa era ter grandes atividades criminosas no domingo. Mas a transferência antecipou a ação [os ataques começaram na noite de sexta-feira]", disse Lembo, segundo o qual houve dificuldade em evitar os atentados. "Foram muitos ataques e de forma descentralizada, atingindo até policiais fora do serviço." Apesar das ações do PCC, o pefelista disse estar "com controle absoluto" da situação. "Além do mais, estão misturando ações do PCC com crimes próprios da grande cidade. O controle é total. Não temos a menor preocupação com o futuro." Embora admita que "o impacto foi violento" -"nunca poderíamos imaginar que agrediriam um bombeiro ao lado da viatura" -, Lembo chamou de "aproveitadores de momento" os que criticam a política de segurança, como o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). "O líder do governo na Câmara só fala bobagem. A polícia está muito bem preparada e equipada." Ao descrever a operação, Lembo fez confusão com o nome da facção criminosa: "Você tinha uma série de militantes do comando de caça, essa besteira, PCB...PCC, em várias penitenciárias. Eles iam fazer uma série de revoltas hoje [ontem], Dia das Mães. Soubemos antes. Pegamos os perigosos, 670, não sei exatamente o número, e deslocamos para Presidente Bernardes e sabíamos que haveria reação. Veio à tona todo o primeiro comando de caça. Como é o nome dessa porcaria? PCC". Dizendo-se grato com um telefonema da governadora do Rio, Rosinha Matheus, Lembo afirmou que "o Rio é um drama nacional, como São Paulo". Mas, ao comentar o pequeno volume de telefonemas, concluiu: "Descobri, efetivamente, que o poder é solitário". Lembo disse que prepara a criação de um "gabinete de discussão" sobre a legislação no país. Segundo ele," a legislação é obsoleta" e este é "o grande momento do Congresso". "No Brasil, o preso não pode ser mantido em regime especial. O que vale mais, toda a coletividade ou uma pessoa individualmente?". União avisou de ataque a atos públicos DA SUCURSAL DE BRASÍLIA A Secretaria Nacional de Segurança Pública, órgão do Ministério da Justiça, encaminhou ao governo de São Paulo gravações telefônicas de líderes do PCC combinando atentados a manifestações públicas no Estado. De acordo com o que a Folha apurou, o PCC pretenderia priorizar os ataques a atos do PSDB, como comícios. Seria forma de tentar tumultuar o processo eleitoral e gerar eventuais arestas entre simpatizantes do PSDB e do PT. Nas gravações repassadas às autoridades paulistas, fala-se no uso de coquetéis molotov. Outros tipos de manifestações públicas, como greves e protestos com reivindicações salariais, também poderiam ser alvos de ataques. A Folha apurou ainda que a PF pretende desencadear nos próximos dias grande operação de combate ao crime organizado. Essa operação deverá atuar para desarticular ligações entre organizações nacionais e internacionais, possivelmente em áreas localizadas próximas à fronteira. Nos bastidores, delegados da Polícia Civil paulista têm feito críticas à atuação do secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho. As reclamações já chegaram ao conhecimento do governador de São Paulo, Cláudio Lembo. As críticas são de excesso de truculência, que um grupo de delegados considera desnecessária e contraproducente. Da parte de Abreu Filho, também há queixas. O secretário tem se defendido com o argumento de que é preciso dureza com os grandes líderes criminosos e que eventuais contestações à sua política só enfraqueceriam a polícia. Uma das reclamações dos delegados é uma mudança radical de orientação para a segurança entre os governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin. Na gestão Covas, foram implantadas a ouvidoria e uma política menos agressiva. Já na gestão Alckmin, Abreu Filho recebeu sinal verde para endurecer. (KENNEDY ALENCAR) Lula reduziu gastos com segurança pública FERNANDO RODRIGUES - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O governo federal reduziu drasticamente os valores gastos em segurança pública no ano passado, segundo dados oficiais da execução do Orçamento da União. No que diz respeito aos repasses aos Estados, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública, a queda foi de 28% na comparação entre os números de 2005 e os de 2004. Esse fundo foi criado por lei em fevereiro de 2001 com o objetivo de "apoiar projetos de responsabilidade dos governos dos Estados e do Distrito Federal". Em 2003, a razão principal do fundo foi alterada por meio de outra lei apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo objetivo ficou assim descrito: "apoiar projetos na área de segurança pública e de prevenção à violência, enquadrados nas diretrizes do plano de segurança pública do governo federal". Ou seja, os Estados e o Distrito Federal deixaram de ser mencionados diretamente. Como conseqüência da exigência explícita do enquadramento ao modo de operar da administração federal, menos convênios foram firmados. Em 2004, o governo federal desembolsou R$ 380,8 milhões para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Em 2005, a cifra caiu para R$ 275,8 milhões -a já mencionada redução de 28%. Quando se observam apenas os valores específicos para investimentos nos Estados (excluindo, entre outros, os gastos com o custeio do fundo), o valor fica bem menor: apenas R$ 124,9 milhões em 2005. Desses R$ 124,9 milhões o Estado de São Paulo, vitimado desde sexta pelos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), ficou sozinho com R$ 56,3 milhões, o equivalente a 45% do total. Ainda quando se analisam os valores totais investidos no Fundo Nacional de Segurança Pública, o governo Lula fica atrás de seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, último ano de seu governo, Fernando Henrique desembolsou R$ 396 milhões para o fundo, em valores atualizados em março deste ano pela ONG Contas Abertas, especializada em monitorar gastos públicos a partir de dados oficiais do Siafi (Sistema Integrado de administração Financeira). O indexador usado foi o IGP-DI. O valor de Lula no ano passado, usando o mesmo IGP-DI, fica em R$ 283,4 milhões -ou seja, uma redução de pouco mais de 28%. Valores globais Os investimentos gerais em segurança pública feitos pelo governo federal também sofreram uma queda no ano passado, fruto da necessidade de o país fazer amplo superávit orçamentário (gastar menos do que arrecada) para sustentar o pagamento dos juros da dívida interna. Em 2005, a administração Lula gastou um total de R$ 475 milhões na área de segurança. Em 2004, a cifra havia sido de R$ 533 milhões. A queda registrada foi, portanto, de 11%. Segundo a ONG Contas Abertas, a Polícia Rodoviária Federal sofreu um corte de R$ 7,7 milhões em 2005 na comparação com 2004. O Fundo Penitenciário Nacional também teve redução de R$ 55,2 milhões nesse período. Só foram registrados aumentos de investimentos para Polícia Federal, justamente o organismo da área de segurança que mais vem apresentando resultados no período mais recente, com operações como a Sanguessuga, que prendeu quase 50 pessoas envolvidas em fraudes na compra de ambulâncias por prefeituras. GUERRA URBANA Segundo eles, a Secretaria da Segurança Pública não alertou sobre reação do PCC; despreparo das bases é maior problema, dizem Policiais afirmam que não foram alertados ALFREDO FEIERABEND - DA REDAÇÃO Policiais civis entrevistados ontem dizem que não houve alerta da Secretaria da Segurança Pública sobre a reação do PCC às transferências de seus principais líderes. Um deles, que não quis se identificar, afirmou que esse teria sido o maior problema no confronto, que pegou as bases despreparadas. Outros dois policiais civis, que também preferiram não ser identificados, diziam não ter sido alertados, mas tentavam defender a secretaria dizendo que é o "preço que se paga por estar na polícia". "Convivemos com a violência diariamente. Temos sempre de estar preparados", afirmou um dos delegados do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado). Segundo ele, o trabalho vai continuar como sempre foi, ou seja, com o mesmo número de investigações de antes dos ataques. Em duas horas na sede do Deic, na zona norte, de São Paulo, pelo menos duas equipes, fortemente armadas, saíram para rondas. Em conversa com um policial civil, que usava terno, colete à prova de balas e um broche da Secretaria da Segurança, ficou evidenciado também um desconforto entre os policiais civis e militares. Para ele, é "um absurdo" a PM sair em dois carros, às vezes três, para fazer as rondas. "O que é isso, estamos em estado de guerra ou é covardia?", questionou. Para os policiais civis, outro problema acarretado pelos ataques é que qualquer crime que aconteceu ou aconteça nesses dias será atribuído ao PCC. Por volta das 18h30, outros policiais chegavam para o plantão. Um deles, que faria o turno de 19h às 4h -horário em que ocorreu a maioria dos ataques-, reconheceu que a atenção tinha de ser redobrada. Questionado se sabia que a Secretaria da Segurança Pública tinha conhecimento que uma violenta reação do PCC podia acontecer, disse: "Esse é um problema de cúpula. O ruim é que a gente é o último a saber". Mães apreensivas As mães dos policiais também sofreram com os ataques. "Fui almoçar com minha mãe hoje [domingo] e ela implorou para que eu não fosse trabalhar. Infelizmente, esses atentados estão atingindo nossas famílias, que não param de nos ligar", disse um major da PM. Essa sensação tomou conta também de Maria, 45, que não dorme desde sexta-feira, quando o marido, um policial militar, foi ferido no abdômen. Nas poucas horas em que conseguiu dormir, teve pesadelos. "Sonhei que metralhavam a minha família toda. Assim que ele sair dessa, vou convencê-lo a mudar de vida." Guardas municipais que trabalhavam ontem em uma base na zona leste disseram que o clima era tenso. "A família liga constantemente", disse um deles. Colaboraram KLEBER TOMAZ, da Reportagem Local, e THARSILA PRATES, do "Agora" Até Polícia Ambiental é alvo de ataques DA REPORTAGEM LOCAL - DA FOLHA RIBEIRÃO Até a Polícia Rodoviária Federal foi alvo de ataques no final de semana e, na tarde de ontem, começou a sofrer ameaças por telefone. A Polícia Ambiental no litoral teve um atentado a bomba e, no interior, um agente assassinado. Três integrantes de um Mercedez Classe A passaram atirando na frente do posto da rodovia Régis Bittencourt -no km 285, em Itapecerica da Serra- na madrugada de ontem, por volta da 1h30. Havia três policiais na base, que não foram feridos na ação. Um deles estava do lado de fora do posto e atirou no vidro traseiro do veículo, que quebrou. Por coincidência, um carro da Rota passou pelo local e foi informado do ataque. Houve uma perseguição e, 6 km depois, o Classe A não conseguiu fazer um retorno e capotou. Os integrantes saíram do carro e houve troca de tiros. Os três policiais, que seguiam os suspeitos, fecharam a pista para evitar passagem de veículos durante o tiroteio. Os acusados morreram antes de chegar ao hospital. Foram apreendidos um revólver, duas pistolas e uma arma calibre 12. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os postos no Estado foram reforçados e agentes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro ajudarão no trabalho em São Paulo. Ontem à tarde, o posto de Itapecerica recebeu telefonemas anônimos com ameaças -os autores das ligações perguntaram se os policiais estavam preparados para um novo ataque. Apesar disso, os policiais aparentavam tranqüilidade no local. Eles dizem ter ficado surpresos em terem sido alvo de ataques, mas afirmam que, com a onda de violência, já estavam em alerta. Foram colocados cones em duas faixas da Régis Bittencourt no sentido interior -só a faixa mais distante do posto ficou livre para a passagem de carros- e um retorno foi fechado. Polícia ambiental Um policial ambiental fardado foi morto com 14 tiros depois de deixar a noiva em casa, em Ribeirão Preto, à 1h de ontem. Arildo Ferreira da Silva, 34, que trabalhava na polícia há 15 anos, morreu no hospital. Policial desde 1991, Silva iria se casar no final do ano. Uma testemunha diz que viu dois homens atrás de uma árvore, que teriam atirado contra o policial enquanto ele atravessava a rua. Silva estava com sua arma particular, mas não revidou. No enterro, as mãos enfaixadas de Arildo traziam um terço, ladeadas pelas camisas do Comercial e Palmeiras. "É revoltante. Essa mãe nunca mais terá Dia das Mães", disse o amigo Juraci Trindade Ávila. Silva foi a segunda vítima em Ribeirão Preto. Na madrugada de anteontem, o agente penitenciário Alexandre Luís Lima, 30, foi assassinado com 20 tiros, quando trabalhava como segurança de um motel. Em Iguape, a Polícia Ambiental foi alvo de uma bomba caseira. Às 4h, houve uma explosão em frente ao 3º Pelotão Ambiental. A bomba não causou danos ao prédio e não deixou feridos. Ninguém foi preso. GUERRA URBANA Governador paulista nega ter recebido a oferta e diz que a recusaria; segundo ministro da Justiça, determinação é do presidente Governo federal oferece ajuda do Exército KENNEDY ALENCAR - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu ao governador Cláudio Lembo, do PFL, "toda a ajuda federal possível, o que inclui o uso da Força Nacional de Segurança Pública, e as Forças Armadas" contra a facção criminosa PCC, disse ontem à Folha o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Lembo, porém, nega ter recebido a oferta. "[Recebi] só um telefonema na tarde de ontem [anteontem], por volta das 16h, do ministro da Justiça, apenas dando solidariedade -o que agradeci- e serviços de investigação da Polícia Federal, o que já está havendo intermediação", disse. Ele também disse que rejeitaria a oferta de ajuda das Forças Nacionais. A seguir os principais trechos da entrevista de Bastos. Folha - Quais são as razões para o que está ocorrendo em São Paulo? Márcio Thomaz Bastos - Há muitas causas. Não existe uma só. O fato é que o crime organizado precisa ser combatido cotidianamente, com inteligência, integração entre as policiais e muita firmeza. É o que estamos fazendo no nível federal e procurando fazer com os Estados. Só se combate redes criminosas atuando em rede. Estamos travando uma guerra dura, que necessita de união e uso de serviços de inteligência integrados entre o governo federal e os Estados. Esforços isolados são inúteis. Vamos vencer essa guerra. Há uma série de medidas que estamos tomando. Folha - Por exemplo? Bastos - A PF tem atuado no Brasil inteiro para combater o crime organizado. Operações recentes são prova disso. Há também a criação do Sistema Penitenciário Federal, que vem de uma lei do início dos anos 80, e que está sendo colocada em prática pelo governo Lula. Esse sistema permitirá que os Estados transfiram [presos] para presídios de segurança máxima, onde os presos não conseguem se comunicar com suas organizações. Isso vai enfraquecer as redes criminosas. Folha - Quantas vagas há nesse sistema? Bastos - Em junho, teremos 400 vagas. Cada penitenciária terá 200 vagas. Serão inauguradas unidades em Campo Grande (MS) e em Catanduvas (PR). Até o final do ano, atingiremos 800 vagas. Em 2007, teremos mais 200 e completaremos mil vagas. Folha - O sr. conversou com o governador Lembo sobre as vagas? Bastos - Ofereci ao governador a possibilidade de transferir criminosos de alta periculosidade para essas penitenciárias. Folha - O que mais o governo federal pode oferecer a São Paulo? Bastos - Conversei com o presidente Lula ontem [anteontem]. Ele determinou que fosse colocada à disposição do governador toda a ajuda federal possível, o que inclui a Força Nacional de Segurança Pública e as Forças Armadas. A Força Nacional tem milhares de homens treinados e prontos para agir [são 4.000]. Isso vai depender do governo de SP. Folha - As Forças Armadas atuarão em São Paulo? Bastos - Oferecemos toda a ajuda possível e que São Paulo julgar necessária. No caso das Forças Armadas, não creio que seja necessário. Se for, estará à disposição, segundo o presidente. |
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| - Promotoria prepara nova denúncia contra empresário - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Folha de S. Paulo Promotoria prepara nova denúncia contra empresário| CASO CELSO DANIEL Acusação formal a Sérgio Gomes da Silva deve ocorrer hoje LILIAN CHRISTOFOLETTI - DA REPORTAGEM LOCAL A Promotoria Criminal de Santo André deve apresentar hoje uma nova denúncia (acusação formal na Justiça) contra empresário Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), por suposta fraude em 12 contratos firmados pela Prefeitura de Santo André no valor de cerca de R$ 50 milhões. Além do ex-segurança, estão na mira do Ministério Público o ex-secretário municipal e ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), o empresário Ronan Maria Pinto e o ex-superintendente do Semasa, Maurício Mindrisz. Segundo a Promotoria, os quatro atuaram, entre 1997 e 2002, para favorecer de forma ilícita a empresa Rotedali, que pertence a Ronan, em 12 contratos municipais de limpeza de rua, de coleta de lixo e de manutenção do aterro sanitário municipal. Como funcionários graduados da administração petista, Klinger e Mindrisz teriam atuado na execução dos contratos considerados ilegais. Gomes da Silva, por sua vez, teria organizado o esquema, ao lado do prefeito assassinado em janeiro de 2002, e era um dos destinatários do dinheiro público. Do total dos contratos, dez foram executados em caráter emergencial, ou seja, com a dispensa do processo licitatório -procedimento exigido de órgãos públicos para garantir a transparência da concorrência e o menor preço. Para o Ministério Público Estadual, a morte do ex-prefeito está vinculada ao suposto esquema de propina montado na Prefeitura de Santo André. Parte do dinheiro, segundo testemunhas, foi destinado a um caixa dois para financiamento de campanhas do PT -o que o partido nega. Também segundo testemunhas, a partilha do dinheiro e a assinatura dos contratos viciados era feita em um restaurante em Santo André. Gomes da Silva, Ronan e Klinger são réus em um processo criminal por suposta cobrança de propina de empresários do setor de transporte urbano na cidade de Santo André. Na Justiça cível, os investigados foram condenados em primeira instância por improbidade administrativa (má gestão pública) por conta de contratos considerados lesivos ao município. Foram proibidos de contratar novamente com o poder público e tiveram seus direitos políticos suspensos. O ex-segurança, que refuta a acusação de ter participado do assassinato de Daniel, também afirma ser inocente das acusações de corrupção na prefeitura. Klinger, Ronan e Mindrisz dizem nunca terem participado de qualquer esquema ilegal em Santo André. Daniel foi seqüestrado na noite de 18 de janeiro de 2002. Ele estava em um carro guiado por Gomes da Silva. O corpo do petista foi encontrado dois dias depois em uma estrada de terra com ferimentos causados por arma de fogo e sinais de tortura. Sete homens da favela Pantanal estão presos pelo crime. Gomes da Silva responde em liberdade. |
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| - Disputa por óleo e gás é global - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Folha de S. Paulo Disputa por óleo e gás é global CLAUDIA ANTUNES - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CAMBRIDGE (EUA) A nacionalização das reservas de gás e petróleo da Bolívia é mais um sintoma do agravamento da disputa mundial pelo controle das reservas de combustíveis não-renováveis. O tema dominou a visita a Washington do presidente chinês, Hu Jintao, em abril, e estará na pauta da reunião do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) em julho, em São Petersburgo. Compõe também o pano de fundo das crises em torno do programa nuclear do Irã e da matança de civis na guerra civil em Darfur, no Sudão. Uma constante na história da exploração comercial do petróleo e do gás, a competição vem se avolumando com o aumento da demanda da China e da Índia e com a posição mais assertiva da Rússia desde que o país emergiu da crise econômica dos anos 90. Nos EUA, ganhou um sentido de urgência depois que a invasão do Iraque não produziu os resultados esperados -a produção iraquiana está longe de alcançar os níveis anteriores à Guerra do Golfo, em 1991. É uma disputa que acontece tanto entre países quanto dentro dos Estados produtores. Governos como os da Venezuela, da Rússia e agora da Bolívia reforçam o controle estatal sobre a produção, em busca de ganhos políticos e estratégicos ou em resposta a pressões populares por maior participação nos lucros da exploração. Embora sozinha a Bolívia tenha peso pequeno no mercado, as parcerias anunciadas por Hugo Chávez e Evo Morales aumentam o cacife da Venezuela, quinto maior fornecedor de óleo cru aos EUA. "Os principais riscos hoje não se devem à falta de recursos no subsolo, mas ao que está acontecendo na superfície: política, geopolítica e o renascimento em algumas partes do mundo de um "nacionalismo de recursos [energéticos] que está surfando na onda dos preços altos", disse Daniel Yergin, presidente da consultoria Cambridge Energy Research Associates e autor do best-seller "O Petróleo, uma História de Ganância, Dinheiro e Poder" (editora Scritta). Segundo ele, o barril a US$ 70 indica aperto na oferta que configura a "quinta crise do petróleo" desde o fim do século 19. O aperto, disse, é provocado pela redução da produção na Nigéria, na Venezuela, no Iraque e no golfo do México e potencializado pelo temor de que um ataque americano interrompa a produção no Irã. Para os EUA, o problema é que, enquanto na crise de 1973 o país importava um terço do óleo que consumia, agora importa 58%. Já naquela época, o presidente Richard Nixon lançou o slogan da "independência energética", mas as companhias petrolíferas americanas e o governo continuaram apostando mais fichas na capacidade de garantir a segurança do fornecimento externo de petróleo. No início deste mês, dois dias depois de a Bolívia anunciar a nacionalização, o vice-presidente americano, Dick Cheney, fez o discurso em que acusou a Rússia de usar suas reservas de gás e petróleo como "instrumentos de intimidação e chantagem" -uma referência ao corte do fornecimento de gás à Ucrânia, no final do ano passado. Cheney esteve em seguida no Cazaquistão, onde os EUA negociam a construção de gasodutos que abasteçam diretamente o Ocidente, sem passar pelo território russo. Pouco antes, a Casa Branca recebera a visita do presidente do Azerbaijão, outro país rico em petróleo e gás que tem fronteira com a Rússia e o Irã. "Posso dizer que nada me causou maior impacto como secretária de Estado do que o modo como a política de energia está distorcendo a diplomacia ao redor do mundo", disse Condoleezza Rice ao Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, em testemunho no mês passado. Além da Rússia, a política energética tem sido fonte de tensão na relação entre EUA e China. O país asiático importa quase a metade do petróleo que consome e, embora sua participação no mercado seja de 8%, foi responsável por 30% da alta da demanda desde 2000. O governo chinês tem se dedicado a garantir acordos de compra e exploração no oeste da África e na América Latina -recentemente, foi um dos países que assinaram contrato com Cuba para a perfuração de campos no estreito da Flórida, o que provocou declarações alarmistas de republicanos. O Irã é o segundo maior produtor da Opep e o terceiro maior fornecedor de óleo cru à China, que em 2004 assinou contrato de US$ 70 bilhões para a exploração do campo iraniano de Yadavaran. O Sudão é o sétimo fornecedor de Pequim. Os EUA têm conflito com os dois países. Os chineses, ao lado dos russos, têm resistido à idéia de aprovar resolução no Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear iraniano. Ao testemunhar na Câmara americana, Daniel Yergin sugeriu que o governo americano despolitize o tratamento do assunto e incorpore a China e a Índia a um projeto global de segurança energética a partir da Agência International de Energia, criada pelos países industrializados ocidentais depois do embargo promovido pelos produtores árabes em 1973. Mas existe ceticismo quanto à possibilidade de os EUA tomarem essa iniciativa. A disputa pelo controle das reservas energéticas continuará permeando as relações internacionais. As companhias petrolíferas privadas e os governos dependentes da importação de combustíveis terão que driblar o poder dos produtores com a diversificação de parcerias e investimentos em fontes renováveis. Hoje, excepcionalmente, a coluna de Marcos Cintra não é publicada. |
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| - Degradação urbana - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Jornal da Tarde Degradação urbana Antonio Reis Silva Filho A degradação de pontos isolados em bairros nobres da cidade de São Paulo é conseqüência da inadequação do uso a que são submetidos alguns dos imóveis. Este fenômeno ocorre em razão do crescimento da Cidade e do surgimento de agentes agressivos que não existiam há 10 ou 20 anos. Isso faz com que edificações construídas no passado, com padrões arquitetônicos da época, não encontrem viabilidade econômica.; ;Imóveis com concepções arquitetônicas da década de 50 não se encontram adequados para resistir a tais agentes. Tampouco servem para residências em virtude de outras opções oferecidas na Cidade. Essa situação leva ao abandono, à falta de manutenção e à descaracterização de pontos isolados no Pacaembu. Numa quadra com 40 imóveis, cerca de 10 deles se encontram abandonados. Isso atrai invasões, depreciação da vizinhança e contribui para o aumento da insegurança. Há, sim, o crescimento do número de unidades para alugar, mas sem sucesso.; ;Não se trata de sugerir as descaracterizações de todos os elementos do zoneamento, mas da necessidade de inserir flexibilizações previstas nas diretrizes do Novo Plano Diretor. Em alguns casos elas foram claramente ignoradas. Bairros com administração de mais de uma subprefeitura aplicaram critérios diferentes.Umas adotaram as diretrizes do plano e outras não.; ;Diante da impossibilidade do uso previsto em lei e em face da realidade existente, a desvalorização é a conseqüência mais imediata. Perdem todos: os proprietários, os vizinhos, o bairro e a cidade. É necessária a renovação de projetos e a revisão de alguns usos. O novo Plano Diretor se propôs a isso e a chance está na sua revisão. DIRETOR ASSOC. DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS, COMERC. E MORADORES DO PACAEMBU |
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| - NOITES DE BAGDÁ - segunda-feira, 15 de maio de 2006 Folha de S. Paulo NOITES DE BAGDÁ O Estado de São Paulo viveu um fim de semana que, guardadas as devidas proporções, fez lembrar o conflagrado Iraque. Policiais civis e militares, carcereiros e até bombeiros tornaram-se alvos genéricos na onda de selvageria sem precedentes patrocinada pelo chamado "Primeiro Comando da Capital". Dezenas de presídios e até unidades da Febem se rebelaram, edifícios públicos foram atacados com todo tipo de armamento, e ônibus, incendiados. Deflagrou a série de ações homicidas a transferência de 765 detentos ligados ao comando criminoso para o presídio de Presidente Venceslau (no oeste paulista), ordenado pelo governo do Estado na quinta-feira passada. Diante de uma demonstração de força tão eloqüente do grupo de bandidos -quando está exposto o sofrimento de familiares e amigos de servidores assassinados a esmo, quando vestir uma farda, que seja a de bombeiro, é tornar-se alvo em potencial-, o medo se generaliza e os paradigmas racionais e legalistas que sustentam nossa civilização se ofuscam. Isso interessa ao crime. Interessa à organização criminosa dos presídios paulistas a difusão da idéia de que possui "poder político". Atua apenas em seu interesse incutir nas autoridades e na opinião pública, como se um dado da natureza fosse, que decisões do Estado devem ser contrapostas ao potencial de reação do consórcio delinqüente. A decisão de transferir condenados para o presídio do interior paulista foi o ato de um governo que tem legitimidade, oriunda das urnas e da lei, para assim agir. Isso basta, pois do outro lado está um grupo homicida e ilegal. Entre um (o Estado) e outro (a agremiação de bandidos) não pode haver diálogo "político"; é obrigação do primeiro reprimir o segundo. Quando a própria noção de poder público e de Estado de Direito está sendo violentamente atacada, é de esperar que as autoridades se unam para defender com força esses bens comuns. Mas não. "Na hora em que você não investe em escola, vai ter de investir em cadeia", foi a reação demagógica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a atentados e rebeliões em São Paulo. Simplificações de palanque também partiram de tucanos -mais de uma década à frente do Executivo paulista-, ao atacarem o governo federal por não liberar verbas para o combate ao crime. A população está calejada. Não acredita mais, se é que algum dia acreditou, em verborragia eleitoreira sobre segurança pública. O Brasil necessita reformar sua política de Estado -e não de governos ou partidos isolados- contra o crime organizado, que viceja onde impera a desarticulação entre instâncias institucionais, federativas e burocráticas. Um dos principais objetivos a perseguir no desmantelamento de organizações criminosas é o controle da informação. Apesar de operar como rede -na qual os comandos podem partir de múltiplas localidades e percorrer diversos itinerários-, a quadrilha organizada que promove a onda de assassinatos de agentes públicos em São Paulo depende de centros territoriais conhecidos: os presídios. Controlar as comunicações nesses centros de detenção é a tarefa estratégica das autoridades, tarefa que parece trivial, mas não é. Esbarra na falta de infra-estrutura para silenciar celulares nos presídios; na resistência de advogados a monitoramento mais rígido; na desarticulação entre instâncias policiais e da burocracia estadual; no desconcerto entre Justiça, Ministério Público e polícia sobre a necessidade de manter em regime de exceção os detentos mais perigosos; nas brechas da legislação que facilitam a vida dos líderes de facções; na ausência de presídios federais de segurança máxima que possam acomodar -e silenciar- lideranças. Mas desfazer os nós que dificultam o controle total da informação nos presídios ficou em segundo plano diante da necessidade imediata de debelar a crise em São Paulo. Apoiar com ênfase os servidores da segurança pública que estão na linha de frente da batalha e dar todo o conforto possível às famílias das vítimas desses ataques covardes é a ação mais importante agora. Transmitir confiança e serenidade à população -como tem feito, apesar de iniciante no cargo, o governador Cláudio Lembo- é atitude sensata. Faria bem o Congresso se iniciasse o debate acerca do endurecimento de penas para homicídios de agentes da lei. |
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